Em meio às variedades de azeitonas cultivadas na Sol da Olivas estão: Arbequina, Koroneiki, Frantoio, Picual, Galega e Arbosana.
A trajetória da Fazenda Sol das Olivas nasce a partir da paixão dos proprietários pela terra e pela produção de azeite de oliva. Em 2015, o Austríaco Gerald Moser, agrônomo e sua esposa, a advogada Solange Dias Neves decidiram transformar o interesse pelas oliveiras em um projeto de vida. Escolheram uma propriedade a cerca de 43 quilômetros de Encruzilhada do Sul, na Serra do Sudeste, e ali começaram a cultivar não apenas oliveiras, mas também uma ideia: produzir um azeite diferenciado, com identidade, cuidado e conexão com a terra.
Hoje, a Sol das Olivas é reconhecida pela qualidade de seus produtos e pela certificação Premium do Rio Grande do Sul. Na safra 2026, o Blend Safra 2026 e o Picual, da marca, receberam o selo Produtos Premium – Origem e Qualidade RS, após passarem por avaliação documental, físico-química e sensorial.
O reconhecimento representa uma conquista importante para um empreendimento que nasceu pequeno e que, desde o início, escolheu crescer sem abrir mão daquilo que considera essencial: qualidade. “Foi muito difícil empreender”, admite Solange. Mas a dificuldade dos primeiros anos foi acompanhada pela convicção de que havia espaço para um azeite gaúcho de excelência.
Atenta às oportunidades, a Sol das Olivas também aposta no olivoturismo, oferecendo hospedagem rural em casa campeira confortável com varanda e vista para a serra. A experiência no local inclui trilhas entre pomares de oliveiras e nogueiras, degustação e contato com a produção de azeite artesanal.

Uma escolha feita com pesquisa e paixão
A decisão de investir na olivicultura foi construída aos poucos. Gerald já tinha uma relação próxima com a agricultura e com a produção orgânica de hortaliças e frutas no sítio da família, em Morro Reuter, e começou a se interessar pelas oliveiras.
O casal, entretanto, precisava encontrar um lugar onde o projeto pudesse ser economicamente viável. Na região onde moravam, o preço das terras tornava o investimento elevado. Para que a atividade tivesse sentido, seria necessário adquirir uma área de aproximadamente 25 a 30 hectares. A busca levou os dois para mais longe.
“Todo mundo falava que o melhor lugar era a Serra do Sudeste”, conta Gerald. A região, que se estende a partir de Encruzilhada do Sul em direção a Pelotas e Bagé, já apresentava diversos olivais e uma crescente concentração de produtores. Os dados pesquisados pelo casal, junto a Embrapa, reforçaram a percepção de que o território apresentava condições favoráveis ao cultivo. Em 2015, a propriedade foi comprada.
O momento coincidiu com a fundação do Ibraoliva, entidade à qual o casal logo se associou e da qual Solange é vice-presidente. A partir daí, a oliveira deixou de ser apenas uma possibilidade e passou a ocupar um lugar central na vida dos dois.

Aprender com a terra
O começo foi marcado por descobertas. E também por perdas. Entre as primeiras decisões estava a escolha das variedades. Na época, as opções disponíveis eram mais limitadas, e o casal apostou naquelas indicadas como mais adequadas. Vieram Arbequina, Koroneiki, Frantoio, Picual e Galega. Mais tarde, Arbosana também passou a fazer parte do olival.
Atualmente, são seis variedades principais, em quantidade suficiente para permitir a elaboração de azeites monovarietais e blends. Outras três ou quatro variedades são mantidas em pequena escala, como forma de experimentar e descobrir novas possibilidades. “Na verdade, a gente está ainda na fase de aprender. Fizemos errando e acertando”, resume Gerald.
Um dos maiores aprendizados veio justamente do próprio terreno. A propriedade possui cerca de seis a sete hectares de mata nativa e uma sanga. As áreas próximas à água, porém, revelaram um nível de umidade maior do que o previsto. Durante o inverno, muitas oliveiras não resistiram. O casal chegou a perder aproximadamente 2.500 mudas. A experiência mostrou que conhecer uma região não é suficiente. É preciso conhecer também cada pedaço da propriedade.
“Da porteira para dentro, temos microclimas”, aponta Solange. A percepção passou a orientar decisões importantes do cultivo. Algumas áreas apresentam condições excelentes para as oliveiras; outras exigem estratégias diferentes. É um conhecimento construído no cotidiano, observando a planta, o solo, a umidade e o comportamento das árvores.

Inovação também começa no viveiro
A busca por conhecimento levou Gerald a experimentar a maneira como as mudas são preparadas. Atualmente, ele compra mudas ainda pequenas, coloca-as em viveiro e permite que permaneçam ali durante aproximadamente um ano.
Nesse período, as plantas crescem e recebem a poda de formação antes de serem levadas ao campo. A técnica surgiu também a partir de experiências internacionais. Durante uma viagem à Itália, Gerald contou a um produtor italiano como eram comercializadas as mudas no Brasil. A reação foi de surpresa diante do tamanho reduzido das plantas.
O motivo, segundo ele, é simples: uma muda muito pequena demora mais para iniciar seu desenvolvimento. Ao permanecer por um período no viveiro, a planta ganha porte e pode ser formada antecipadamente. Com isso, o produtor consegue ganhar um ou dois anos no desenvolvimento da oliveira.
Pequena na escala, grande na essência
A Sol das Olivas mantém uma estrutura enxuta. No dia a dia, tem um funcionário fixo e três trabalhadores volantes. Durante a colheita, entre fevereiro e março, a equipe chega a aproximadamente 15 pessoas. A colheita é manual — uma escolha que traduz a filosofia do casal. A proposta nunca foi transformar a Sol das Olivas em uma operação de grande escala. O objetivo é preservar o controle sobre aquilo que chega ao consumidor.
“Somos pequenos e nosso modelo de negócio sempre será o envase do nosso produto”, define Solange.
A diversidade das variedades permite explorar diferentes perfis sensoriais e elaborar tanto monovarietais quanto blends. O resultado é uma produção que busca expressar, em cada garrafa, a identidade do território e o cuidado dedicado ao processo. É uma chancela que reforça a proposta construída desde o início: oferecer um azeite de qualidade, com origem conhecida e identidade própria.

Fonte: Mundo do Azeite de Oliva